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Porque Criamos um Mercado em USDT - e o Que Isso Muda para a Mineração

Todos os mercados de commodities do mundo resolveram o mesmo problema. Os produtores de petróleo protegem as receitas contra oscilações de preços. As minas de cobre fixam preços antes mesmo de o projeto sair do papel. Os agricultores de trigo vendem antecipadamente a colheita da próxima época ao preço de hoje. A capacidade de separar o desempenho operacional da especulação de preços é o que transforma um negócio de matérias-primas num negócio financeiramente gerível.

A mineração de Bitcoin tem sido a exceção. Durante mais de uma década, os mineradores obtiveram receitas em BTC e pagaram custos em moeda fiduciária — eletricidade, alojamento, hardware e salários. Esta incompatibilidade estrutural significa que uma operação lucrativa pode apresentar perdas no momento da liquidação simplesmente porque o preço do Bitcoin se moveu contra ela durante a janela de pagamento. Isto não tem nada a ver com a qualidade da operação. É um problema de infraestrutura financeira, não operacional.

Foi isso que decidimos resolver.


O que lançámos

A NiceHash introduziu infraestrutura nativa de carteiras USDT e USDC em toda a plataforma. Mineradores e compradores podem agora manter, receber e converter stablecoins e Bitcoin diretamente dentro do mesmo ecossistema. Sem exchange de terceiros. Sem etapas externas de conversão. Sem risco adicional de custódia.

Com base nisso, construímos um mercado de hashrate separado e denominado em USDT. Isto não é apenas uma opção de moeda aplicada sobre o nosso livro de ordens em BTC já existente. É um mercado arquitetonicamente independente, com a sua própria descoberta de preços, a sua própria dinâmica de liquidez e a sua própria base de participantes.

A diferença é importante. Um minerador ligado ao mercado USDT recebe stablecoins diretamente como moeda de liquidação pelo seu hashrate, e não como uma conversão posterior de BTC. As receitas e os custos podem agora ser denominados na mesma unidade de conta. Para qualquer minerador que faça gestão de tesouraria, isso altera completamente os cálculos relacionados com pagamentos de eletricidade e planeamento de reinvestimento.

"Estamos a construir a camada financeira sobre o marketplace — uma infraestrutura que trata o hashrate como a commodity que já é, tendo o USDT como moeda nativa de liquidação." Saša Čoh, CEO da NiceHash AG

Porque criámos um mercado separado e não apenas uma camada de conversão

Quando concebemos isto, o atalho óbvio teria sido adicionar uma opção de pagamento em USDT sobre o mercado BTC já existente: receber BTC, converter automaticamente e pagar em USDT. Muitas plataformas fazem exatamente isso. Nós optámos por não o fazer, e a razão é estrutural.

Os compradores de stablecoins e os compradores de BTC não são o mesmo mercado. As suas motivações são diferentes, os seus perfis de risco são diferentes e os seus requisitos contabilísticos também são diferentes. Um comprador institucional que aloca orçamento para aquisição de hashrate precisa de definir preços, acompanhar e reportar essa aquisição em termos equivalentes ao dólar. Obrigar esse comprador a operar através de um marketplace BTC com uma camada cambial por cima introduz risco de conversão, problemas de timing na liquidação e fricção contabilística que um livro de ordens nativo em stablecoins elimina por completo.

Um mercado em USDT separado proporciona um ambiente mais limpo para ambas as partes, mineradores e compradores. Os mineradores obtêm previsibilidade na liquidação. Os compradores obtêm preços nativamente denominados em dólares. O próprio mercado desenvolve liquidez independente e descoberta de preços que refletem procura específica por stablecoins, e não procura BTC com uma camada de conversão.


Como isto responde às necessidades reais dos mineradores

O momento deste lançamento não é acidental. A economia pós-halving reduziu as margens em toda a indústria. Os mineradores que continuam comprometidos com o Bitcoin, em vez de migrarem para infraestruturas de IA ou outras fontes de receita, são precisamente aqueles que mais necessitam de melhores ferramentas financeiras. Fizeram uma aposta explícita na economia da mineração e muitos enfrentam crescentes limitações de capital, numa altura em que o capital institucional tem fluído fortemente para infraestruturas de IA.

Para estes operadores, o desfasamento entre receitas e custos não é um problema abstrato. É a diferença entre sobreviver a um ciclo de baixa ou encerrar operações. A liquidação em stablecoins é a primeira camada de infraestrutura que aborda isto diretamente — mas é apenas a primeira camada.

Para os mineradores cuja estratégia é a acumulação de BTC a longo prazo, a liquidação em BTC continua a ser a escolha certa. O mercado em USDT não é um substituto — é uma alternativa para operadores que necessitam de previsibilidade no fluxo de caixa para gerir custos do mundo real.

Na prática, a abordagem mais natural poderá ser dividida: alocar hashrate suficiente ao mercado em USDT para cobrir custos operacionais — eletricidade, alojamento e pagamentos de hardware — e direcionar o restante para o livro de ordens em BTC para acumulação a longo prazo. Isto oferece previsibilidade de custos no lado fiduciário sem abdicar totalmente da exposição ao BTC. É a mesma lógica que os produtores de commodities utilizam há décadas: proteger aquilo que é necessário proteger e manter o potencial de valorização no restante.

O próximo passo é o conjunto de ferramentas financeiras que os mercados de commodities consideram garantido: o tipo de infraestrutura que permite aos produtores planear, proteger e financiar operações com base em receitas futuras e não apenas em preços spot. O mercado em USDT é a fundação que torna isso possível. Uma unidade de conta estável simplifica tudo, desde garantias até contabilidade, e abre portas a instrumentos que uma moeda de liquidação volátil tornaria impraticáveis.


Hashrate on demand — o lado do comprador

A infraestrutura de liquidação é importante para os mineradores. Mas um mercado precisa de ambos os lados. É aqui que entra o HashRate On Demand.

HashRate On Demand é um serviço de aluguer de hashrate pay-as-you-go, totalmente denominado em USDT. Sem necessidade de possuir hardware. Sem períodos de bloqueio. Sem compromisso inicial de capital. Os utilizadores acedem a hashrate com uma margem transparente sobre a nossa taxa indexada e podem sair a qualquer momento.

Todas as compras de HashRate On Demand passam pelo livro de ordens em USDT. Isto significa que o produto cumpre simultaneamente duas funções: é um ponto de entrada acessível para compradores que querem exposição à economia da mineração sem compromisso com hardware, e é também um impulsionador de procura que aumenta a liquidez do mercado em USDT. Ambas as componentes reforçam-se mutuamente.

O público-alvo é específico: operadores com pouco capital, fundos crypto-native que exploram estratégias de rendimento em Bitcoin, gestores de tesouraria que necessitam de exposição à mineração sem hardware no balanço, e compradores em mercados onde possuir hardware é logisticamente ou regulatoriamente difícil. Com o próximo halving a aproximar-se, a flexibilidade para aumentar ou reduzir exposição sem capital imobilizado tem valor real.

Para equipas de tesouraria e alocadores institucionais, o HashRate On Demand oferece ausência de períodos de bloqueio, contabilidade denominada em dólares e nenhuma infraestrutura física para gerir — tudo isto numa plataforma regulada na Suíça. Esta combinação nunca tinha existido na mineração.


O que isto significa para a indústria

A mineração de Bitcoin está a dividir-se em duas indústrias. De um lado, operadores industriais em grande escala consolidam-se em torno de energia barata e enormes implementações de hardware. Do outro, o acesso mediado por software está a abrir a economia da mineração a participantes que interagem através de mercados em vez de centros de dados.

Estes dois lados competem por capital, talento e atenção regulatória. Mas convergem numa necessidade comum: uma infraestrutura financeira madura em torno do hashrate. É aí que a NiceHash se posiciona.

A convergência entre infraestrutura Bitcoin e rails de stablecoins não é exclusiva da NiceHash — mas construir um marketplace de hashrate totalmente independente e denominado em USDT, com a sua própria descoberta de preços, é. Em toda a indústria, desde serviços de pagamentos baseados em Lightning até pools de mineração e plataformas financeiras nativas de Bitcoin, está a emergir o mesmo padrão. Plataformas construídas em torno do Bitcoin estão a adicionar funcionalidades denominadas em dólares porque os seus utilizadores o exigem. Não como um afastamento do Bitcoin, mas como uma necessidade operacional para empresas que funcionam com economia Bitcoin e vivem num mundo denominado em moeda fiduciária.

Construímos a NiceHash como um mercado de hashrate desde 2014. O que estamos agora a construir é a camada financeira sobre esse mercado, a infraestrutura que trata o hashrate como a commodity que já é e dá a mineradores e compradores as ferramentas para o gerir em conformidade.

A energia continuará sempre a determinar onde a mineração acontece. A estrutura de mercado e as ferramentas financeiras determinarão quem pode participar nela.

ESCRITO POR
Saša Čoh
Saša Čoh is CEO and board member at NiceHash, driving the company's technological vision and strategic direction. With years of hands-on experience in software engineering, blockchain technologies, and system architecture, he has been instrumental in building cutting-edge solutions that shape NiceHash's position in the global cryptocurrency and mining ecosystem.
Traduzido do inglês por Nuno Silva